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AI sublinha a importância do papel da Presidência Portuguesa da UE |
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NA APLICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Pensar em conjunto a temática dos Direitos Humanos, aplicar as suas leis e assumir as responsabilidades neste campo são as palavras de ordem da Amnistia Internacional para a Presidência Portuguesa da União Europeia. Isto, claro, começa por arrumar a própria casa, prometendo a delegação portuguesa da AI cada vez mais activismo na mobilização dos cidadãos.
Às portas da Presidência Portuguesa na União Europeia, a Amnistia Internacional recorda aquilo que o governo português assumiu como uma prioridade para a Europa dos 27: a defesa dos direitos humanos. Uma prioridade que não deve apenas passar por legislação mas pela resolução de “casos concretos” – realçou Cláudia Pedra, directora executiva da Amnistia Internacional Portugal, hoje de manhã em Lisboa, em conferência de imprensa.
Neste processo que diz respeito à defesa da pessoa e que não serve apenas a interesses institucionais, “cada país é chamado à responsabilidade”, recordou Dick Oosting, director da Amnistia Internacional para a União Europeia. E casos para resolver não faltam. Refira-se, por exemplo, o ainda insuficiente controle da produção e comercialização de armas, as detenções em Guantánamo ou a presença da CIA averiguada no espaço aéreo europeu.
“A performance tem de condizer com a ambição” – afirmou Dick Oosting – e “cada Estado tem de olhar pelo seu quintal”, continuou, sublinhando a necessidade de se assumirem responsabilidades e de se garantir que no futuro as atitudes sejam coerentes com as vontades declaradas.
Foi, neste sentido, relembrada a questão dos aviões da CIA – envolvidos ditas “rendições extraordinárias” (operações para capturar suspeitos de terrorismo) - que utilizaram o espaço europeu - incluindo o de Portugal. Dick Oosting fez notar que se há desconhecimento de certas situações é sintoma de uma insuficiente vigilância. Ver a propósito o relatório final da União Europeia a respeito deste caso
“Não aos acordos bilaterais de imunidade”Porém, fazer críticas é tão importante como “salientar as boas práticas”, afirma o director. Aqui, não se poderá esquecer as responsabilidades da UE para com os seus parceiros estratégicos. Cláudia Pedra chamou a atenção, neste contexto, para as próximas cimeiras com o Brasil, a Ucrânia, a Rússia, a China, a Índia e África no trabalho com os PALOP.
Neste contexto, reiterou a necessidade de “não assinar os acordos bilaterais com os Estados Unidos chamados de Imunidade” – salientou a directora executiva da AI Portugal. Isto por se tratarem de acordos que permitem uma “impunidade” dos cidadãos, americanos procurados pelo TPI (Tribunal Penal Internacional), salientou a directora executiva da AI Portugal. Uma posição que é, aliás, defendida na Resolução do Parlamento Europeu sobre a posição do Conselho 'Assuntos Gerais', relativamente ao Tribunal Penal Internacional: “(…)Nenhum acordo de imunidade deverá viabilizar a possibilidade de que indivíduos acusados de crimes de guerra, crimes contra a Humanidade ou genocídio fiquem impunes”.
Direitos em acção
Hoje, Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura, a Amnistia Internacional recorda que o importante é estar atento e não ficar indiferente.
Neste semestre de presidência portuguesa da UE (já pela terceira vez na sua história), Cláudia Pedra desafia os portugueses a trabalhem “activamente” na defesa dos direitos de todos e de cada um. De facto, “criar activismo” é o mote, e das acções às quais os portugueses serão mais chamados, destacam-se a defesa das minorias étnicas e a luta contra o racismo e a discriminação.
Tendo em conta que as rotas da imigração, a nível europeu, passam cada vez mais pelas fronteiras portuguesas, “a questão da imigração e do asilo político deverá ser tomada com a devida consideração”, conclui. Para consultar dados sobre a imigração em Portugal.
Dez pontos de acção para que a Presidência Portuguesa possa definir uma política coerente e credível de Direitos Humanos na EU
1. Definir parâmetros para a política interna de Direitos Humanos da EU, de forma a estabelecer um papel efectivo para a Agência Fundamental de Direitos Humanos, em complementaridade com o Conselho da Europa, e coerente com o esforço externo da EU, a nível dos Direitos Humanos.
2. Fornecer relatórios complementares concretos aos inquéritos relativos ao envolvimento europeu na actividade ilegal dos EUA na Europa e manter a luta da EU contra o terrorismo estritamente dentro dos padrões de direitos humanos do direito internacional.
3. Agir no sentido de melhorar o quadro legislativo da EU, de forma a eliminar todas as formas de discriminação.
4. Preencher as lacunas de protecção existentes nos actuais de instrumentos de asilo e melhorar a qualidade do processo de tomada de decisões.
5. Garantir os Direitos Humanos na gestão da imigração irregular e assegurar salvaguardas para o retorno em segurança e dignidade das pessoas que não têm direito a permanecer no território da EU.
6. Assegurar uma dimensão de Direitos Humanos forte e consistente nos processos de alargamento da EU e num âmbito mais abrangente das políticas de vizinhança.
7. Continuar a pressionar os parceiros-chave estratégicos, no sentido de colmatar as suas deficiências a nível dos Direitos Humanos e assumir as suas responsabilidades como actores internacionais.
8. Colocar os Direitos Humanos no centro das relações e da cooperação EU-África.
9. Fortalecer a implementação das directrizes da EU sobre os defensores de direitos humanos e sobre a tortura, e iniciar uma revisão das directivas relativas aos diálogos sobre os direitos humanos.
10. Realçar o papel central dos direitos humanos na prevenção de conflitos e nas operações de gestão das crises da EU. |
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